segunda-feira, 14 de março de 2011

Eu nao sou


 
 

"Eu não sou a razão, eu não sou seu mágico, não é minha culpa, eu não sou seu Deus. Não é meu problema, eu não sou sua ilusão, eu não sou a causa, eu deixarei-lhe ir… Tudo já se foi, porém só você sabe todos os dias como eu me sinto. Mais tudo que eu quero é só ficar bem… Neste buraco que estou a morte está rondando, minha vida destruída sobre o desespero, todas essas cicatrizes continuam se abrindo…"

Verdade.




Entre as drogas que alteram o pensamento, a melhor é a verdade.

Não adianta só virar a pagina.





Muitas vezes precisamos rasgá-las, por medo de querer ler de novo.

Por isso eu tenho esperanças ...


Que esse milagre caia sobre mim!
                             Amém!

sábado, 12 de março de 2011

Minhas reações



E tem momentos que eu sinceramente sou insuportável, nem eu consigo me aguentar. Sou irritante, chata e consigo tirar as pessoas facilmente do sério. Quer me ver dar risada? Me conte uma piada sem graça, eu com certeza irei rir não da piada mas da sua cara por ter contado ela. Quer me ver chorar? Me fale coisas que você sabe que iram me “atingir” irei sorrir para você para segurar minhas lágrimas, mas quando estiver sozinha vou desabar. Não gosto que fiquem me dizendo o que fazer, afinal eu sei o que tenho que fazer só não faço. Quer me ver ficar toda boba? Me diga coisas fofas, mas que sejam fofas e sinceras, você com certeza me fará ficar “derretida”. Quer me ver ficar sem graça? Me diga que eu sou linda olhando nos meus olhos, vou ficar vermelha e tentar não te encarar para que você não perceba que estou com vergonha. Sou uma mistura de sentimentos e de pensamentos. “Sou tão indecisa que quando amo, amo demais, mas quando odeio, odeio mais ainda”.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Até que a morte ...

 De vez em quando o diabo me aparece e temos longas conversas.
Em nada se parece com o que dizem dele: rabo, chifres, patas de bode e cheiro de enxofre. Cavalheiro de voz mansa e racional, bem vestido, apreciador de desodorantes finos, me surpreende sempre pela lógica dos seus argumentos. Nada de futilidades. Só fala sobre o essencial, estilo que aprendeu com Deus, nos anos em que foi seu discípulo. Percebi que era ele quando notei que trazia na sua mão direita o martelo e, na esquerda, a bigorna. Pois esta é a sua missão: martelar as certezas, ferro contra ferro, para ver se sobrevivem ao teste.
Já se preparava para dar a primeira martelada quando o interrompi:
- Que é isto que você vai bater? Acho que vai se partir em mil pedaços…
A coisa que estava sobre a bigorna me parecia feita de louça, um bibelô delicado e frágil, e lamentei que o diabo fosse esmigalhá-la.
- Não tenho outra alternativa – ele me respondeu. – É parte de uma aposta que fiz com Deus. Este bibelô delicado é o casamento. E você pode estar certo: não resistirá ao ferro do meu martelo!
Fiquei indignado que ele estivesse maquinando coisa tão perversa e passei ao ataque.
- Não é à toa que os religiosos dizem que você é o anti-Deus. Deus junta. Você separa! A sua bigorna já destruiu muitos lares!
Ele não tinha pressa. Descansou o seu martelo e me falou com voz imperturbada:
- Já estou acostumado às calúnias. Mas não existe coisa alguma mais distante da verdade. Se há uma coisa que eu desejo é um casamento duradouro, até que a morte os separe. Se ponho o casamento na bigorna é justamente para provar que a receita do Criador não funciona. A minha é muito mais eficaz.
Como o meu silêncio indicasse minha disposição em ouvi-lo, ele continuou a falar:
- Todo mundo sabe que, no início, eu era a mão direita de Deus. Estávamos de acordo em tudo. Ele mandava, eu fazia. Foi por causa do casamento que nos separamos. Até então trabalhávamos juntos. Quando Deus disse que não era bom que o homem estivesse só, e melhor seria que ele tivesse uma mulher, eu concordei. Quando Deus disse que esta união teria de ser sem fim, até a morte, eu aplaudi. Mas aí apareceu o pomo da discórdia. Para colar o homem na mulher, Deus foi buscar uma bisnaguinha de amor. Protestei. Argumentei:
- Senhor! Amor é coisa muito fraca, de duração efêmera! Quem é colado com o amor logo se separa!
Citei o poeta: “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure!” Amor é chama tênue, fogo de palha. Não pode ser imortal. No começo, aquele entusiasmo. Mas logo se apaga. Chama de vela, fraquinha, que se vai com qualquer ventinho… Amor é bibelô de louça. Todos os amantes sabem disso, mesmo os mais apaixonados. E não é por isso que sentem ciúmes? Ciúme é a consciência dolorosa de que o objeto amado não é posse: ele pode voar a qualquer momento. Por isto o amor é doloroso, está cheio de incertezas. Discreto tocar de dedos, suave encontro de olhares: coisa deliciosa, sem dúvida. E é por isso mesmo, por ser tão discreto, por ser tão suave, que o amor se recusa a segurar. Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar. Como construir uma relação duradoura com cola tão fraquinha? Por isto os casais se separam, por causa do amor, pela ilusão de um outro amor. Qualquer tolo sabe que o pássaro só fica se estiver na gaiola. O amor é cola fraca para produzir um casamento duradouro porque no amor vive o maior inimigo da estabilidade: a liberdade. É preciso que o pássaro aprenda que é inútil bater asas. Um casamento duradouro é aquele em que o homem e a mulher perderam as ilusões do amor.
- Foi aí que nos separamos – ele continuou.
- Não porque discordássemos que casamento deveria ser eterno. É isto que eu quero. Nos separamos porque não estávamos de acordo sobre o que é que junta um homem e uma mulher, eternamente. Deus é um romântico. Eu sou um realista.
- Qual foi então a sua proposta? Que cola deveria ser usada?- perguntei, perplexo.
- O ódio. – respondeu ele. – Enganam-se aqueles que dizem que o ódio separa. A verdade é que o ódio junta as pessoas. Como disse um jagunço do Guimarães Rosa, quem odeia o outro, leva o outro para a cama. Diferente do fogo da vela, o fogo do ódio é como um vulcão. Não se apaga nunca. Por fora pode parecer adormecido. No fundo, as chamas crepitam. A diferença entre os dois? O amor, por causa da liberdade, abre a mão e deixa o outro ir. No amor existe a permanente possibilidade de separação. Mas o ódio segura. Não tenha dúvidas. Os casamentos mais sólidos são baseados no ódio. E sabe por que o ódio não deixa ir? Porque ele não suporta a fantasia do outro, voando livre, feliz. O ódio constrói gaiolas, e ali dentro ficam os dois, moendo-se mutuamente numa máquina de moer carne que gira sem parar, cada um se nutrindo da infelicidade que pode causar no outro. As pessoas ficam juntas para se torturarem. Não menospreze o poder do sadismo. Ah! A suprema felicidade de fazer o outro infeliz!
Com estas palavras ele tomou do seu martelo e voltou ao seu trabalho:
- Tenho de provar que eu, e não Deus, sou quem sabe a receita do casamento que só a morte pode separar.
Eu me persignei três vezes e compreendi que o inferno está mais perto do que eu pensava.

Vilões




Sou do tipo de garota com gostos ao avesso que prefere os vilões. Se quer saber, piu-piu sempre me deu raiva e eu acho ele um cara de pau, gosto do Frajola e sempre torci pra ele vencer. Sempre gostei mais das vilãs, do que das mocinhas. Aquele teatro todo de boa moça nunca me convenceu, pelo menos as vilãs eram verdadeiras e tinham atitude. Não é que eu seja má e goste de ver o “mal”, é que eu tenho personalidade própria e os vilões também. Eles vão em busca do que querem em vez de ficar chorando pelos cantos, tipo os mocinhos.